segunda-feira, 1 de junho de 2009

um axé para o rei

A justa e merecida homenagem a Roberto Carlos pelos seus 50 anos de carreira feita por um time de cantoras brasileiras foi aquém do esperado. O especial Elas Cantam Roberto, exibido ontem (31), na TV Globo, teve seus altos e baixos, por assim dizer.
Logo na abertura uma grande decepção. Uma das maiores cantoras do país e, sem dúvida, a maior artista do Brasil já há alguns anos, Ivete Sangalo não arrebatou na interpretação de Os seus botões. Música surgida na época de maior inspiração de Roberto e Erasmo, uma das maiores joias da leva de canções de cunho erótico da dupla (..."nos lençois macios, amantes se dão, travesseiros soltos, roupas pelo chão..."), ela não teve a letra enfatizada como deveria. Os graves afinados de Ivete, como diria Bethânia, são indiscutíveis. A capacidade vocal da juazeirense não está mais em pauta faz tempo, mas ontem ela deixou a desejar no quesito interpretação. Por isso, a música passou e ninguém viu!
Diferente de sua conterrânea Claudia Leitte. Apesar de ser uma cantora que ainda precisa amadurecer e aperfeiçoar o canto, a novíssima baiana arriscou mais na apresentação. Não fosse alguns deslizes e derrapadas - frutos da gana de acertar - Claudia Leitte teria sido perfeita. A ex-vocalista do grupo Babado Novo cantou de dentro pra fora e dramatizou expelindo verdade no cantar. Falando sério, outro diamante da lavra de Os seus botões, entrou pelos ouvidos e conseguiu chegar na alma do espectador.
Coube a Daniela Mercury descascar um abacaxi, daqueles bem azedos. Cantora madura e com respaldo no cancioneiro brasileiro, a baiana elétrica ficou, paradoxalmente, com a batida e já sem graça, Esqueça, música da época da Jovem Guarda, e quem nem é de Roberto Carlos. E o pior: segurar "as pontas" para Wanderléa, cantora muito limitada que só foi escalada por fazer parte da trupe inicial de Roberto e Erasmo.
A verdade é que a homenagem feita pela mulherada, de um modo geral, foi bonita e elegante, mas também cansativa e pouco antenada com a musicalidade atual. Apesar da presença de instrumentistas contemporâneos na banda, como o percusionista Leonardo Reis, os arranjos tiveram ainda aquela cara de mil novecentos e "bolinha"! A sentida ausência de nomes como Maria Bethânia, Gal Costa, Simone, Marisa Monte e Vanessa da Mata, quase transforma Elas cantam Roberto em um verdadeiro desencanto.

3 comentários:

Elaine Teixeira disse...

Querido jornalista!!!rsrs...
Discordo totalmente de vc, quando diz que Claúdia Leitte mostrou mais verdade na canção, do que Ivete. Eu ao assistir, consegui me emocionar...

Daniel disse...

Não falou de Ana Carolina???
Estranho, rsrsrsrsrs...

Rick disse...

Já eu concordo com sua opinião. Digamos que dentro de sua extensão vocal, Claudia Leitte ousou mais, enquanto Ivete se manteve no seu tom "seguro". Este comentário, no entanto, não revela uma preferência pela loira. Entre as duas fico com a Ivete, embora eu goste mesmo da Paula Toller, cuja participação foi cortada pela emissora.