terça-feira, 3 de maio de 2011

a canção deles (ou não)

Ele sempre passou aquela imagem de macho "durão" e insensível. Imaturo. Já chegou nos 30 e essa fase traz na bagagem um pouco mais de saber. De filhinho de papai a policial militar muita coisa acontece! Aconteceu. Amizade de infância, menina de coração grande, azuadinha. De volta a Salvador, terra que ama de paixão, veio pra ficar. Voltou em companhia de um anjo. Brigas, confusões e desentendimentos frutos de orgulho, puerilidade e falta de diálogos... talvez amor! Sozinho aqui. Como lidar com essa tal solidão? Mãe já foi há mais de 10 anos, pai nunca teve representatividade. E agora? O vazio talvez traga a realidade de um sentimento, que abarcou grandes "guerreiros" como Lampião, porque não a ele? E por que não a ela? Tem um anjo no meio. Deve haver um resquício de amor.

Mapa-múndi (Thiago Pethit)

Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor?

Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E me pergunte o que será do nosso amor?

Ah, se eu pudesse voltar atrás...

xalaiálaiá

As partidas valendo pelas semifinais do Baianinho 2011, envolvendo Vitória e Bahia, além de manterem "tudo como d'antes no Quartel de Abrantes", isto é, a estúpida supremacia do Leão nos últimos 20 anos, serviram para trazer nova desconstrução à tona: a guerra (sadia, diga-se de passagem) entre as torcidas. Em números absolutos, indiscutivelmente, a do Tricolor ainda é maior, apesar do grande surgimento de novos rubro-negros. O que trago para a pauta é um tema que está indo por terra: o comportamento no estádio. Diz o mito que a do Bahia agita e a do Vitória é quietinha. Diz o mito. Mas mitos estão aí para serem quebrados. Quem presenciou os dois jogos percebeu a diferença grande em ambos os estádios, inclusive em Pituaçu, onde a massa rubro-negra era bem menor, obedecendo à cota. A torcida do Vitória, já há alguns anos, se comporta de maneira muito mais empolgada e animada que a torcida do rival. Porém, nos BAxVi's recentes ficou muito nítida essa diferença. Os rubro-negros engoliram os tricolores no campo e, principalmente, nas arquibancadas. Nota-se até a torcida do Bahia um pouco assustada e acuada, meio sem entender. Afinal, é difícil acostumar-se com novas realidades. A renovação da turma, criativa, exigente e não menos apaixonada, e atenta às tendências, traz esse paradigma para sacudir o futebol baiano. "Sua estrela já era, o meu Leão impera..."

sexta-feira, 29 de abril de 2011

mamãe, quero ser grande

Ainda não começou o São João, mas às vésperas do BAxVI decisivo, que define qual dos rivais vai à final do Baianinho 2011, o clima está quente como as tradicionais fogueiras que adornam a festa junina. Em entrevista ao Jornal Correio* de ontem (28), o goleiro do Vitória, Viáfara, ídolo muito mais por sua personalidade e identificação, do que por suas atuais atuações, afirmou que as estrelinhas acima do escudo do Bahia não significam grandeza. E não significam mesmo. Simbolizam títulos nacionais que o Bahia conseguiu conquistar em épocas que, com a absoluta certeza da morte de todos, jamais se repetirão. O arqueiro lembrou também da falta de respeito que impera no tricolor. Ele tá certo. E tem "peito" pra dizer, friamente. Exceto Ávine, quem mais ali naquele elenco encarna e honra a camisa do Bahia? Como é que um jogador mediano dá um murro na cara de um dirigente inescrupuloso, sai do time, fala um monte de asneira do time adversário na Internet, e é idolatrado pela torcida? Um time grande não fica sete anos seguidos fora do principal campeonato nacional do país. Um time grande não toma 7x0 dentro de casa sob nenhuma possibilidade, como aconteceu com o Bahia em 2003, diante do Cruzeiro, na Fonte Nova. Um time grande não registra marcas negativas históricas, como o Bahia, que há alguns dias levou 5xo do Atlético-PR na Copa do Brasil, sendo o primeiro time do Nordeste a tomar uma surra dessa envergadura na história do torneio. Um time grande não fica 10 anos consecutivos sem conquistar o título estadual, ainda mais quando só tem um adversário à altura. Definitivamente, o Bahia não é grande. O Bahia tem dois títulos nacionais e uma grande (e pouco exigente) torcida... e nada mais. Grandeza é personalidade, estrutura, respeito e visão futurista. O Vitória, fora alguns deslizes provincianos, está no caminho certo. O resultado disso, que é o desejado título em nível nacional, está cada vez mais próximo. Batemos na porta recentemente. Vamos chegar lá e vou viver pra ver!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

produtores culturais baianos aprovam seminário de economia

“Esse evento é uma espécie de provocação aos agentes culturais de que não se pode só esperar pelos poderes públicos para fazer a cultura local se movimentar”. Essa é a opinião do produtor cultural Edson Costa, 52, sobre o Curso de Economia da Cultura e Empreendedorismo, cuja abertura aconteceu durante a manhã desta segunda-feira (11), no auditório Orlando Moscozo, na sede do Sebrae Bahia, nas Mercês, em Salvador. Para Costa, uma alternativa para os empreendedores culturais acessarem mais o mercado é buscar parcerias. “Grandes empresas chegam às comunidades diariamente através de produtos para revender. Falta uma visão administrativa para negociar com esses empresários da área privada”, afirma. Costa, que atua há mais de 25 anos na área, foi um dos mais de 100 participantes do seminário, entre empreendedores culturais e de setores que fazem interface, como turismo, moda e design, além de gestores públicos e privados que atuam no segmento. Os objetivos principais do encontro foram identificar instrumentos práticos envolvidos no processo de empreendedorismo cultural e examinar o ambiente legal, além de debater os aspectos institucionais sobre o exercício dos direitos culturais no Brasil. O superintendente do Sebrae Bahia, Edival Passos, ressaltou que a cultura, reconhecida como atividade rentável, precisa se quantificar para ser devidamente valorizada. “É preciso dar um passo adiante e aprender a tirar proveito dela como atividade econômica, mas com o cuidado de não mercantilizar e perder a essência”, explicou. Passos revelou que a instituição está apta a capacitar os produtores culturais na questão empreendedora do negócio. “Se é uma atividade econômica, nós vamos contribuir para organizar economicamente quem produz cultura no Estado”, definiu. Também presente ao evento, o superintendente de Promoção Cultural da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), Carlos Paiva, afirmou que economia é assunto estratégico na superintendência. “Isso porque a cultura tem grande potencial econômico já que é um setor de matriz limpa e renovável”, destacou. Paiva lembrou ainda as ações da Secult no sentido de mapear e qualificar os profissionais da área. “Através de debates e palestras apresentamos ao trade dados e pesquisas sobre as manifestações populares, além de qualificação, que é indispensável para o desenvolvimento do setor”, disse. Doutorando em Economia do Desenvolvimento, Leandro Valiati, falou aos presentes sobre construir tecnologias e quais as linhas necessárias para a economia da cultura, como a diferença entre valor e preço, por exemplo. “Há diversos bens culturais, de alto valor e representatividade para um povo, que não possuem preço porque não chegam nem a virar um produto. Preço é algo dado pelo mercado, que sofre alterações diversas”, explicou. De acordo com o professor, na economia, o que não se realiza, não existe. “Mas a economia cultural tem condições de produzir tecnologia que permita a dinamização das produções”, apontou. A dançarina e produtora cultural, Maria Juliana Passos, 26, considerou relevante a discussão sobre economia da cultura. “É uma ação válida, pois chama a atenção para a importância de adotarmos cada vez mais uma visão empresarial”, disse. Ela é proprietária da Mazurca Produções, que atua há três anos com montagem de espetáculos de dança contemporânea na capital baiana. Até chegar em Salvador, o Curso de Economia da Cultura e Empreendedorismo passou por São Paulo, Goiânia e Porto Alegre. Nesta terça-feira (12), é a vez de Manaus receber o seminário, que é uma realização da Garimpo de Soluções e Casa Ethos, com patrocínio do Sebrae Nacional.

sábado, 9 de abril de 2011

triste bahia

Foi realmente engraçado quando minha filha mais velha, Ana Flávia, me contou, abismada e aos risos, que sua avó, Paloma, queria saber se ela ia pular carnaval. A adolescente, com todo aquele sarcasmo da idade, respondeu perguntando: "pular???". A velha, acostumada aos bons tempos da folia de momo, ainda era adepta do verbo que melhor condizia as intenções dos foliões em outros tempos. Sou mais fã do tempo da vovó e já pulei alguns carnavais em Salvador. Mas não há que se estranhar o repúdio e espanto de Ana. Ela tem 13 anos e é dessa pobre geração musical (coitada!) do carnaval. Sempre entendi a folia como festa pra pular mesmo. Até porque as canções nos remetiam a isso: pular, dançar de qualquer jeito, extravasar, esquecer o mundo e externar a alegria. Eram frevos e galopes de levantar até defunto. Fora as chamadas "músicas agitadas", éramos contemplados com belíssimos samba-reggaes que continham verdadeiras aulas de história do Brasil. É óbvio que a canção não é algo estático e sofre influências e modificações. As misturas e incursões com outros ritmos e movimentos musicais são bem-vindas. Sempre serão, desde que somem e agreguem algo ao que já estava plantado. Porém, o que vem acontecendo com o carnaval de Salvador, em termos musicais, é uma verdadeira involução. Suponho que tudo isso seja fruto de um sistema educacional cada vez mais fajuto e sucateado, onde as canções perderam qualquer possibilidade de digestão, se trouxerem algo mais que histórias pitorescas regadas a muita cachaça, amor banal e barato, e sexo de uma forma vulgar e imbecil e suas devidas mímicas. A deseducação sombria que assola a população brasileira fez com que três canções completamente absurdas em todos os aspectos musicais (letra, canção, métrica, harmonia e até em ritmo, que poderia se salvar, mas nem isso) chegassem aos páreo de melhor música do carnaval 2011 em alguma premiação dessas dezenas aí. O terceiro lugar foi para... tchanrantchantchan... "tu quer beber? Eu não! Num quer por que? Tu quer fumar? Ãh ram!", cujo refrão, com afirmações negativas, cola na mente: "Vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não". Essa é daquelas que surgem do nada e vão pra lugar nenhum em fração de segundos. Esquece. O segundo lugar foi outra pérola, inclusive pela criatividade. Tchubirabirom. Nem sei e nem vou pesquisar no Google se escrevi certo. Mas está aí a nova palavra do nosso dicionário. Tchubirabirom é o nome da música, cujo significado quer dizer... ninguém sabe dizer o que quer dizer. O que importa é colocar as mãos pra frente, cintura, cabeça e... tchubirabirom!. Vida curta pra essa também. E a grande vencedora é, talvez, a pior das três. A música mais demente que já tive o desprazer de escutar em meus 33 anos de existência. Ela é a que melhor representa todos os problemas (citados acima) que uma música não deveria ter. É completamente ruim em todos os sentidos. Não salva nada. Depois de tudo isso, só pode ser eu o maluco, lógico. Por que uma pseudo-música, repleta de problemas, é a grande vencedora como melhor música da maior festa popular do mundo... Isso é para que se percebam a que ponto chegou o nível musical do carnaval de Salvador. A tal da Liga da Justiça, que comete loucuras na composição (e deixou Luciano Huck tão boquiaberto quanto eu), tocou tanto nessa festa que eu nem soube das músicas rotuladas de axé. Qual foi mesmo o carro-chefe de Daniela Mercury, Asa de Águia, Banda Eva, Cheiro de Amor, Chiclete com Banana, Cláudia Leitte, Margareth Menezes e Ivete Sangalo para a folia? Me avisem aí que não me informaram. Pois aonde eu fiquei só tocava: "foge, foge Mulher Maravilha, foge, foge com o Super Man", a música do famigerado grupo LevaNóiz, que possui site oficial, com agenda de shows e até fã-clube. E acredite: o nome da banda eu tenho certeza que escrevi certo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

incondicional

Minha neném completou nove meses dia 18 de março. O tempo voou como dizia uma propaganda de banco e eu nem notei que só faltam três meses para Morena comemorar seu primeiro aninho de vida. O mais curioso nesse ainda curto trajeto de existência dela, além das mudanças de fisionomia e comportamento, é o sentimento, a afeição. Eu sou (sempre fui) muito sentimental. Só para se ter uma ideia, hoje de manhã, ao estacionar o carro, eu vi um rato morto e fiquei triste, sentido, porque sei que aquele animal sofreu, sentiu dor para morrer, pois, provavelmente, foi assassinado por alguém. Mas... deixa pra lá. Voltando. O laço afetivo entre ela e as pessoas, principalmente as que convivem com ela, é algo fascinante. Parece que se desenvolve em paralelo ao tempo. Minha filha é o amor da minha vida. Nada forçado por ser o pai. É que ela, do jeitinho que ela é, com aquela cara, aqueles gestos, é o amor da minha vida. E falar de amor, o mais nobre dos sentimentos, sempre requer cautela para não cair em lugar comum e banalização. O que pretendo destacar nesse texto é que meu amor por minha filha é tão verdadeiro que independe do que ela sente por mim. Ou sentirá um dia. É tão verdadeiro e tão maravilhoso que chega a ser canino, pois eu não preciso de reciprocidade para amá-la. Eu a amo e só... e ponto final.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

reportagens para prêmio sebrae de jornalismo podem ser produzidas até 28 de fevereiro de 2011

Práticas vitoriosas em pequenos negócios, empreendedorismo, cooperação, competitividade, inovação, além de políticas públicas e legislação. Esses são os seis temas que devem abordar as reportagens de jornalistas de todo o país para concorrer à terceira edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo. É importante atentar que as inscrições vão até 05 de março, mas podem concorrer à premiação, matérias veiculadas entre 1 de janeiro de 2010 e 28 de fevereiro de 2011.
O vencedor do Grande Prêmio fatura R$ 25 mil, e os melhores trabalhos nas categorias jornalismo impresso, radiojornalismo, telejornalismo e webjornalismo, além do Prêmio Especial do Júri, que contempla a melhor matéria sob a pauta Inovação, levam R$ 12,5 mil. O valor de R$ 3 mil cabe aos ganhadores da Menção Honrosa, destinada a fotojornalismo e reportagem cinematográfica. Os vencedores também receberão um troféu, e os finalistas, certificados. E ainda todos os inscritos no prêmio ganham uma assinatura semestral da Revista Imprensa.

O objetivo principal do Prêmio Sebrae de Jornalismo é reconhecer os profissionais da imprensa, por meio das melhores matérias e reportagens veiculadas na mídia sobre o universo das micro e pequenas empresas no Brasil. Entre as novidades da edição atual, que foi lançada em novembro de 2010, está a ampliação de oportunidades às mídias de todas regiões do Brasil.

Outro diferencial é que a escolha dos melhores trabalhos vai acontecer em três fases, ao contrário das edições anteriores, em que havia apenas os júris regional e nacional. Desta vez, as reportagens serão submetidas à apreciação de um júri estadual, que vai escolher os selecionados para um júri regional, que por sua vez encaminha as melhores matérias para o júri nacional. Além disso, haverá uma premiação para o vencedores estaduais.

A ficha de inscrição, regulamento e informações sobre os formatos de entrega dos trabalhos podem ser encontrados no site www.portalimprensa.com.br/premiosebrae. A entrega poderá ser feita pelos Correios ou pessoalmente na sede da Revista Imprensa, situada à Rua Rego Freitas, 454 – 6º andar, conj. 61 – Centro – CEP: 01220-010 – São Paulo (SP), até a data máxima prevista para a inscrição.

A publicação dos finalistas nacionais – cinco por categoria – será feita pelo Portal Imprensa e pela Agência Sebrae de Notícias em maio de 2011. A divulgação dos vencedores e a entrega dos prêmios serão realizadas em junho de 2011.

Criada pelo Sebrae em parceria com a Revista Imprensa, a premiação conta com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação para premiar matérias veiculadas na imprensa nacional e regional relativas aos pequenos negócios.

catadores assistem ao filme lixo extraordinário

Mais de 50 profissionais que trabalham na CAEC e na Cooperativa de Catadores de Canabrava (Cooperbrava), terão a oportunidade de assistir ao filme Lixo Extraordinário, indicado ao Oscar 2011 na categoria Documentário de Longa-Metragem. A sessão será nesta quinta-feira (10), às 17h, no Espaço Unibanco Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, centro de Salvador. O objetivo da ação, organizado pelo Centro de Estudos Socioambientais do Pangea, é levar aos catadores uma possibilidade de reflexão sobre o passado, a realidade de um trabalho digno no presente e as perspectivas de futuro.
“Eles vieram do lixão e, organizados, estão com a possibilidade de industrializar materiais reciclados por eles mesmos”, afirma o diretor do Pangea, Antonio Bunchaft. Para ele, o filme é uma oportunidade para os catadores ampliarem conhecimento e buscarem crescer ainda mais na profissão. São esperados, além dos catadores, representantes de empresas de reciclagem e de condomínios que fazem coleta seletiva. “É uma temática extremamente atual, pois os trabalhos organizados e cooperados interferem positivamente no desenvolvimento econômico e social”, conclui Bunchaft. Após a sessão haverá um debate entre os presentes.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

tem serventia

Sempre que vem uma edição do BBB e os "metidos a intelectuais de plantão" se manifestam dizendo que não vão assistir porque é uma porcaria, uma idiotice mas terminam assistindo, chegam na minha caixa de emails aquelas mensagens de protesto. O pior é como a última que recebi, e que me motivou a escrever estas linhas, que vem com assinatura de nomes de peso, talvez com o intuito de dar credibilidade e convencer as pessoas. Luis Fernando Veríssimo, indiscutível cronista brasileiro, foi a vítima da falcatrua de um dos "metidos a intelectuais de plantão" dessa vez. Na mensagem, dentre aquelas mesmas argumentações de que o programa não educa, que a Rede Globo lucra milhões com as ligações, que todos os telespectadores são imbecis, ele citou, com o objetivo de demonstar o quanto ele respeita e valoriza a diversidade humana, a frase "não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer". Esse tipo de declaração, que pela construção, já é homofóbica, também é super manjada nesses textinhos "senso comum" que rolam em época de BBB. Mas resolvi falar sobre ela mesmo assim.
Ora bolas, "intelectual", é óbvio que cada um faz da vida o que quer. Mas essa argumentação, tão deslumbrante, não cabe no contexto. Em um mundo extremamente insano, onde imperam como animais dominantes, os mais intrometidos do reino, que são os humanos; onde o caráter, personalidade, aceitação social e capacidade intelectual das pessoas, são analisados e avaliados de acordo com seus mais íntimos desejos, que são os sexuais (isso nos casos em que o comportamento ou estereótipo entrega, diga-se de passagem), será que alguém escolheria ser gay? Com o mínimo de neurônios passeando pelo cerébro, a resposta é não. Conclusão: não é uma questão de escolha e de "fazer da vida o que quiser", como se fosse algo adquirido no mundo externo e absorvido pela pessoa. É aquela velha história, homofóbica, que se o menininho com seus 10 anos, vê dois homens se beijando, vai querer fazer o mesmo (engraçado é que ele vê zilhões de homens e mulheres se beijando e não faz efeito...). A homosexualidade não vem de fora para dentro. Abandonemos essa ignorância tamanha. É nítido que os gays já nascem gays e desenvolvem, assim como os heteros, pois não há distinção como seres humanos, essa sexualidade ao longo da vida. Inclusive o universo sexual é algo muito complexo para esses "intelectuais" definirem em uma tacada só.
No BBB 11, por exemplo, (olha a utilidade do programa...), há quatro gays completamente diferentes, excluindo o caso ainda mais complexo que é o da Paula (tri?!). A única mulher, Diana, se diz homo, mas beija os homens com calor e desejo de uma hetero, sem tirar nem pôr. Ela não está fazendo tipo. Está claro. Porém, o estereótipo dela é gay... os jeitos e trejeitos... Quem só olha, aposta que ela só deseja mulheres, mas não é. Quanto aos dois homens, são gays de gerações diferentes, digamos assim, com suas semelhanças também. Eles são do tipo que se vestem e comportam como heteros, mas gostam, exclusivamente no que diz respeito a sexo, de homens. E o assunto aqui é desejo e não ato sexual, visto que a orientação se pauta pelo sentimento e não pela ação na hora de transar. A principal diferença entre eles é de época mesmo, com mudança de estereótipo. Daniel é mais franzino e efeminado, padrão que imperava em sua geração e Lucival é forte, musculoso e sem afetações, mais comum na era atual. Como se diz na Bahia: "é mais plantado". E Ariadna? Essa transexual é a que melhor desconstrói a frase do gênio sobre "fazer da vida o que quer". O caso das transexuias, que vai além das travestis, pois essas mantém a genitália masculina por uma série de motivos que só em outro post para discutirmos, é fantástico. Quando Pedro Bial chama os participantes de heróis e "neguinho" pira, eu concordo com Bial. Há um quê de heroísmo sim em expor sua vida, invadindo a casa das pessoas pela televisão, seu comportamento, mesmo quem em competição por R$ 1,5 milhões. Mais ainda para uma transexual, que é a Mulher Maravilha dessa edição (que os pagodeiros não leiam esse texto...).
Ela não fez da vida o que ela quis. Essa afirmação é muito simplória e superficial. Ela fez da vida dela o que ela teve que fazer. Ela é uma mulher, e por favor não me atirem pedras, mulheres outras. Só que ela, Ariadna, como tantas outras Ariadnas por aí, nasceu com um pênis entre as pernas e anatomia masculina. Mas quem somos nós, além de humanos intrometidos, para julgar a formação humana de alguém por questões biológicas?
Desculpe-me a ciência, mas é reduzir demais uma análise que requer profundidade. Ela apenas adequou seu corpo à sua mente. E ficou plena. Respeitemos, e mais que isso: valorizemos as diferenças.
Agora, repare o tamanho desse texto.
Tá vendo que o BBB serve para alguma coisa?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ronaldinho gaúcho: farsa, samba e censura na gávea


Patricia Amorim é presidente do Flamengo.

Bastaram 792 votos.

Para comandar a alma de 33 milhões de brasileiros, bastou essa simbólica votação.

Eleições em clubes no Brasil são sempre estranhas demais.

Foram pouco mais de 2.300 sócios que participaram da eleição.

Ela concorreu representando a Chapa Branca.

Interessante...

Chapa branca é a expressão que os jornalistas utilizam para entrevistas que só fazem perguntas que agradam o entrevistado.

O deixam à vontade.

Muitas vezes são combinadas com antecedência.

Ele sabe o que será perguntado.

Muitas vezes até pede que certo assunto seja destacado.

E outros não sejam colocados, de jeito nenhum.

Ronaldo depois do caso dos travestis deu uma marcante.

Neymar depois da briga com Dorival Júnior.

Até o casal Nardoni também...

Pois bem, hoje é a vez de Ronaldinho Gaúcho.

Sua contratação pelo Flamengo foi fruto de um leilão mal conduzido por Assis.

De acordo com dirigentes do Palmeiras e do Grêmio, ele deu sua palavra que o irmão jogaria em São Paulo e em Porto Alegre.

Acabou no festivo Rio de Janeiro.

Desde 2006, Ronaldinho Gaúcho vive uma decadência técnica impressionante.

Suas farras, festas de virar a noite se tornaram marca registrada.

Assim como suas brigas com treinadores.

Foi assim que saiu do Barcelona.

E agora do Milan.

Desprestigiado, na reserva desses times.

E visto pelos dirigentes como péssimo exemplo.

Tanto a postura do leiloeiro Assis como a decadência de Ronaldinho Gaúcho são assuntos vetados na coletiva de hoje.

Com o aval da presidente Patricia Amorim, haverá uma farsa batizada de entrevista coletiva.

Todos os veículos de comunicação que desejassem fazer perguntas a Ronaldinho deveriam mandá-las até as 10 horas para a assessoria de imprensa do clube.

Essas perguntas passarão por um rigoroso filtro.

E às 17 horas quando a coletiva acontecer, um apresentador que o Flamengo escolher fará as perguntas a Ronaldo.

A entrevista terá 30 minutos exatos.

Esse apresentador pode até não fazer pergunta alguma dos jornalistas.

Se elas não forem convenientes, fará as que a assessoria do Flamengo e Assis e Ronaldinho decidirem.

Sem ser vidente, já é possível que ele falará que realizará um sonho em jogar com a camisa 10 de Zico.

Que o Flamengo o levará para a Seleção Brasileira de volta.

Do prazer de encontrar novamente Vanderlei Luxemburgo.

Da impressionante e apaixonante torcida do Flamengo.

Que estará pronto fisicamente para jogar em fevereiro, quando acaba o contrato com o patrocinador da camisa.

Ou ele pagará muito mais para estar no peito de Ronaldinho ou cederá o espaço para quem pagar mais.

Não está descartada a possibilidade dele cantarolar um pedaço do hino do Flamengo.

E sambar.

Entrevistas sem conteúdo é especialidade de Ronaldinho Gaúcho.

Ele parece não ter sangue nas veias.

Aprendeu com o irmão Assis a falar, falar e não dizer nada.

Hoje terá autorização para isso.

O jornalista que for hoje à Gávea terá apenas o direito de assistir essa farsa.

Para os torcedores pouco importa.

Eles querem mais é saber de fazer festa pelo jogador.

Triste é o apoio incondicional, servil da presidente do Flamengo.

Patricia Amorim é uma batalhadora.

Tem 33 anos de Flamengo.

Foi a primeira mulher a chegar ao poder em um clube grande sem ser fantoche do marido.

Ela é vereadora pelo PSDB.

Tem experiência em militância política...

Briga pela democracia...

Pela participação da mulher na sociedade...

Ela não deveria se dobrar a Ronaldinho Gaúcho.

No íntimo sabe que essa tentativa de blindagem não dará em nada.

Todos ficarão alertas ao futebol e ao comportamento do novo camisa 10 do Flamengo.

Um jogador que ganhará cerca de R$ 1,8 milhão a cada 30 dias não pode virar noites e noites em festas.

Hoje ele poderá apenas falar do deseja.

Sobre o que seu irmão achar conveniente.

Mas essa casca se romperá no dia-a-dia.

Mais cedo ou mais tarde ele terá de enfrentar o mundo real.

Hoje será uma grande bobagem.

Um show de samba com direito a discursinho ensaiado.

Ele que aproveite bem.

Se pensava que vindo para o Brasil poderia deitar e rolar e ainda servir à Seleção, é bom que abra os olhos...

Hoje toda a imprensa brasileira estará de mãos amarradas e bocas caladas à força.

Ronaldinho e Assis que se preparem para o amanhã.

Quando não puderem impedir perguntas, questionamentos de verdade.

Farsa, presidente Patricia Amorim, só hoje...


texto do jornalista Cosme Rímoli