sexta-feira, 31 de julho de 2009

bobagens meu filho, bobagens

O motorista do buzú, passando em frente ao Salvador Shopping, dispara para a pessoa com quem conversa enquanto dirige: "aí é tudo mais caro, é shopping para elite e não trabalha preto aí não viu, os caras são racistas". E continua o festival de asneiras. "Uma pipoca aí é R$3,00. No Center Lapa, você ganha uma pipoca quando entra no cinema". A garota e parceira de diálogo sorri amarelo e meio tímida diz: "mas o cinema do Center Lapa é pequenininho". Ele finge que é surdo. "Heim?".
Pois é, senhor motorista, vamos começar do começo. Esse complexo de inferioridade é um discurso velho e já está bem fora de moda. Os preços dos produtos no Salvador Shopping são iguais aos preços aplicados nos outros grandes centros comerciais da cidade, como Iguatemi, Paralela e Barra. Até porque, de um modo geral, as lojas são as mesmas. Eles pregam no próprio slogan que são diferentes. Mas a grande diferença está na qualidade dos materiais usados na construção e acabamento do prédio (o que impressiona muito), e no conforto ofertado ao cliente.
A impressão que se tem é que o motorista do ônibus, que na sua fala representa uma camada significativa da sociedade, nunca entrou no shopping. E se entrou, foi com uma pulga atrás da orelha, cismado, e se achando inferior às outras pessoas. Porém, quando foi inaugurado, o shopping abriu as portas para quem quiser entrar e tiver competência para trabalhar e não somente para quem é rico e branco.
A outra bobagem do senhor motorista consiste na dificuldade que as pessoas têm em avaliar seu consumo na relação custo-benefício, e não só o custo. A pipoca de graça que o cliente recebe ao entrar no cinema do Center Lapa é muito ruim. É fria e mole. A salinha onde passa a película é suja, com os equipamentos quebrados e defeituosos, som tosco e vídeo de péssima qualidade. Além da telinha do tamanho de uma TV de 42". O filme é o mesmo que se assiste no salão super limpo do Cinemark, com poltronas reclináveis e de couro, ar condicionado empedrando as pessoas, áudio e vídeo de última tecnologia, e tela gigante. Pois é, o filme é o mesmo, mas os preços são diferentes. No Salvador Shopping é bem mais caro, mas analisando a tal da relação custo-benefício certamente será mais interssante. E no Cinemark a pipoca, deliciosa e crocante, tem que ser comprada por fora. Você que sabe!


P.S.: os "caras" que ergueram o salvador shopping não são negros, mas vieram de baixo, vendendo farinha na feira do interior de sergipe, portanto, dificilmente devem ser racistas, pois viram muito negro pobre tentando vencer na vida

botão de alerta

A incosntestável vitória do Avaí ontem (30), em Florianópolis, sobre o Vitória, imprimindo marcação forte e incansável, mesmo jogando em casa, e após quatro vitórias seguidas, serviu como um bom sacolejo para o rubro-negro baiano. A longevidade do campeonato e a maratona de dois jogos por semana, faz com que os jogadores, principalmente quando o time está fazendo boa campanha, se desconcentrem em algumas partidas, que eles consideram "coadjuvantes" na busca dos objetivos: título e Libertadores. Ficou clara a apatia, nervosismo após a "merda feita", e falta de comprometimento (principalmente nos minutos finais) da equipe contra o Avaí de Muriqui (ô meu Deus do céu, Muriqui acabou com a zaga do Leão! Muriqui!). Deu para perceber a cabeça voltada para o domingo à tarde no Barradão, contra o tricampeão brasileiro: São Paulo.
Como os erros também têm seus louros, que a porrada de ontem diante do time catarinense, apesar de péssimo resultado, sirva como um estalar de dedos gigantes na cara dos jogadores. O menos mal é que a derrota cruel veio em um momento ainda aceitável da competição, o que favorece a uma recuperação em tempo hábil, afinal ainda somos 5º colocado. O que tem que ficar claro na cabeça dos atletas é que não dá para menosprezar ninguém nessa competição duradoura e cansativa. O tempo de Garrincha, em que tinham adversários bobos no futebol, já foi há anos e anos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

racismo e intolerância religiosa

O Centro de Estudos dos Povos Afro-índio-americanos (Cepaia), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) promove nesta sexta-feira (31), o lançamento do Guia de Luta Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo e o DVD Ojuobá. O evento acontece a partir das 14h30, na sede do Cepaia, no Largo do Carmo, em Salvador.
As duas publicações, de caráter socioeducativo, foram produzidas pela Comissão de Combate Contra a Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, composta por membros da sociedade civil organizada, e serão distribuídas gratuitamente na ocasião do lançamento. Ivanir dos Santos (babalaô) e Fátima Danna, membros da comissão, vão comparecer ao lançamento.


P.S.: texto extraído do site da Agecom

segunda-feira, 27 de julho de 2009

sexualidade

Abordar a sexualidade em suas diversas expressões do conhecimento, com foco para as áreas de saúde, ciências humanas, letras, artes e demografia. Este é o objetivo do 1º seminário Enlaçando Sexualidades: Educação, Saúde, Movimentos Sociais, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, promovido pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), através do Núcleo de Gênero e Sexualidade (Nugsex Diadorim). O evento acontece amanhã (28) e vai até sexta-feira (31), no campus 1, em Salvador.
O seminário terá a participação de pesquisadores da Argentina, Colômbia, Moçambique e Espanha. A antropóloga Maria Luiza Heilborn e a socióloga Miriam Abramovay são alguns dos destaques da programação, que conta ainda com mesas-redondas, lançamento de livros e outras atividades.
P.S.: texto extraído do site da Agecom

coisas "da antiga"

Como cliente voraz de lojas como Submarino, Americanas e Saraiva, recebo inúmeros emails sobre ofertas das empresas. Diferente da maioria das pessoas, isso não me chateia, eu gosto porque, como já disse, estou sempre comprando. Mas o motivo dessa postagem é para falar sobre algo intrigante que ainda permeia a mentalidade do povo brasileiro e que estimula o comportamento dos grandes empresários.
Como estamos nos aproximando do Dia dos Pais, já começo a receber mensagens sobre vendas de produtos visando essa data. E aí é que entra a questão. Fruto de uma sociedade patriarcal e machista, apesar de estarmos em pleno século XXI, as pessoas ainda têm o ranço de comportamentos arcaicos. No conteúdo das mensagens, o que mais tem é promoção de caixa de ferramentas (afinal, é o homem que conserta as coisas, ora bolas!), adegas e jogos para bar (cadê o bêbado com as calças no mão?) e acessórios para carro e aparelhos de esporte (mulher fica em casa cuidando dos "minino").
Na época do Dia das Mães, é engraçado, mas muito comum: promoções de geladeiras, fogões, centrífugas, liquidificadores, batedeiras, máquinas de lavar e coisas do gênero. Como se a mulher habitasse exclusivamente a cozinha e área de serviço da casa. As coisas já foram assim, mas tudo muda. Tudo, aliás, já mudou. Sem ser radical, para também não perder a graça, o charme e a atração da diferença, exclusividades pautadas por sexo é algo do passado e não dá mais para engolir.

bidane

É lógico que é um exagero sem tamanho comparar o ícone do futebol francês e mundial, Zinedine Zidane com o bom meia do Vitória, Bida. A primeira vez que ouvi essa junção dos nomes foi na voz de Sílvio Mendes, locutor da rádio Sociedade AM. Achei graça, mas gostei.
O fato é que Bida, por estar com a cabeça voltada para possíveis transferências e ter sido mal escalado em algumas partidas, não estava correspondendo em campo. Mas ele não mudou de time e Carpé está lhe dando chances de jogar mais próximo da posição em que atua melhor: pelo meio. Nos três últimos confrontos do rubro-negro no Campeonato Brasileiro, contra Atlético-MG, Corinthians e Coritiba, ele entrou, sempre no lugar de Willian, que vem caindo de produção. No duelo de ontem (26), contra os paranaenses, sua entrada foi fundamental para a alteração do placar da partida que já estava com aquela "cara de 0x0", o que seria um péssimo resultado. Primeiro, após bela transação com Leandrinho, deu um tapa forte na bola, de primeira, mas a redonda preferiu passar rente à trave esquerda do arqueiro do Coxa, a entrar na meta. Depois, recebeu passe de Apodi na entrada da área, levantou a cabeça, no melhor estilo Zidane, e meteu, com açúcar com afeto, para Leandro Domingues matar no peito e encher o pé. Gol do alívio e da vitória que pode estar devolvendo a categoria e o potente chute de Bida ao time titular.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

você tem medo de quê?

Sinceramente, nem da onda de violência que assola o país, nem de fantasmas e nem da morte. Como diria Gilberto Gil, de morrer, que é diferente, pois ainda pode haver dor ou vontade de mijar, é até aceitável. Mas, excluindo o inevitável ato final, não há o que se temer aqui na Terra. Porém, o time do Vitória entrou em campo ontem (23), contra o Corinthians, em São Paulo, tremendo de medo, devido a presença de Ronaldo. Ainda longe de sua melhor forma física (pelo visto, nunca mais ele vai entrar em boa forma), o ídolo do país do futebol joga mais sem a bola do que com ela nos pés. Os adversários se preocupam mais como que ele pode vir a fazer do que com o que ele faz, de fato. E o que ele vem fazendo, de fato, nas partidas, exceto lances esporádicos, é muitíssimo pouco para amendrontar os marcadores.
A boa, mas imatura zaga do rubro-negro baiano sentiu esse pavor durante 90% do primeiro tempo do jogo de ontem. O gol de Apodi no fim da primeira etapa foi a luz que a equipe precisava para perceber que o Corinthians e Ronaldo são bons, mas não aterrorizantes. Tanto que o comportamento do Vitória no segundo momento da partida foi de encher os olhos. O jovem time baiano colocou a cabeça e o posicionamento no lugar. A partir daí, só atacou e o Corinthians só se defendeu. Menos frouxidão e mais confiança tornaram Felipe o nome mais repetido por Milton Leite (torcedor do Corinthians desde neném!) durante o jogo. Além disso, a má pontaria (novamente) do ataque rubro-negro (leia-se o bom jogador Roger) foi crucial para a manutenção do placar de 2x1 para o time paulista até o fim. Mas o Vitória não vai morrer e o campeonato é longo para desespero.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

câncer de pênis

A Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Pênis, desencadeada esta semana pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), será lançada oficialmente na Bahia nesta sexta-feira (24). O evento será às 11h, no auditório do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), localizado no Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto, com o apoio das secretarias estadual e municipal de Saúde.
Na oportunidade, além de ser apresentado o material educativo da campanha, que tem como ‘padrinho’ o ex-jogador de futebol Zico, será proferida palestra sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de pênis, voltada para médicos do Programa de Saúde da Família (PSF) e agentes comunitários de saúde.
P.S.: texto extraído do site da Agecom

salve a bahia, senhor!

Música Falada. O nome do projeto já diz tudo: entrevista e canções, canções e entrevista. Idealizado pelos apresentadores do programa de rádio Roda Baiana, Fernando Guerreiro, André Simões e Jonga Cunha, o projeto Música Falada chega à sua terceira edição. Após receber nomes como Ivete Sangalo, Saulo Fernandes, Daniela Mercury, Durval Lélis, Carlinhos Brown e o grupo Chiclete com Banana, o trio continua firme com o time de baianos, mas abriu mais o leque, por assim dizer. No próximo dia 04/08, quem sobe ao palco do Teatro Castro Alves (TCA), é a grande cantora Margareth Menezes. Até aí, o time continua ótimo, mas é o mesmo. Só que no dia 01/09 quem dá continuidade à edição de 2009, é o mestre e ex-ministro Gilberto Gil. Um ícone da música brasileira e mundial. E para fechar, a pegada rock e peculiar de Marcelo Nova, no dia 06/10.

era uma vez...

Minha mãe, que em agosto de 2009 faz 10 anos que faleceu, era cliente assídua da cozinheira Dadá. Por aí dá para calcular o tempo que resistiu o restaurante "Varal da Dadá" (exatos 20 anos), no Alto das Pombas, na Federação. Naquela época, era absolutamente natural se deparar com o sorrisão espontâneo da quituteira baiana no próprio restaurante. Ainda não muito famosa, todas as vezes em que fomos lá, Dadá estava presente esbanjando energia positiva.
O fato é que as roupas foram retiradas do quintal. O charmoso e singelo restaurante da Dadá fechou as portas. A violência e o tráfico de drogas, que já dava suas caras no local desde que íamos lá, falou mais alto e espantou a clientela da quituteira. A "negona" foi obrigada a "bater as botas" da matriz, o projeto umbilical da sua rede de restaurantes. Após duas décadas, o Varal desarmou e entra em cena o "Sabores da Dadá", na Pituba, para fazer companhia ao "Sorriso da Dadá", no Pelourinho, que já começa a capengar por motivos óbvios.
A questão é que, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o bairro da Pituba apresenta mais crimes do que o Alto das Pombas. É lógico que a grande diferença entre os bairros é que a Pituba, de um modo geral, é palco de crimes e o Alto das Pombas é residência de criminosos e traficantes (com muitíssimas excessões, é claro, pois na Pituba também moram larápios!). E o que vinha afastando as pessoas de frequentarem o Varal, é o fato de se depararem com marginais aonde eles se escondem, refugiam e comandam. E não só a violência em si, pois no bairro nobre, os assaltos são mais constantes. E como Dadá conquistou um público de nível socioeconômico elevado, eles, com seus carros, roupas e perfumes de luxo, não eram vistos com bons olhos por certos moradores da região. Eram cada vez mais estranhos no ninho.
A decisão de Dadá pode até gerar polêmica perante "estudiosos" e defensores de enraizamentos banais e também de moradores do bairro, que fingem ser o lugar uma maravilha. Mas eu quero saber quem é que se sentia bem, tranquilo e confortável, levando sua família para almoçar ou jantar em um restaurante situado em um lugar onde traficantes passeiam, em plena luz do dia, com armas em punho?