sexta-feira, 26 de setembro de 2008

jovens da periferia desfilam moda em pituaçu

Músicas de Vinicius de Moraes, na voz de Maria Bethânia, deram o tom do encerramento da 10ª Edição do Projeto Moda nas Comunidades Carentes, assinado pelo estilista Neném Bettone. O desfile aconteceu hoje no Parque Metropolitano de Pituaçu, com a participação de 10 modelos, revelados em bairros pobres de Salvador. O evento, que teve como objetivo elevar a auto-estima dos jovens da periferia e integrar a comunidade ao parque, foi apoiado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
O evento apresentou a coleção primavera/verão, trazendo um mistura de tendências, com muita cor e estampa. “O verde é para homenagear o parque”, ressaltou Bettone. Segundo o estilista, a escolha de Pituaçu para encerrar o desfile, cujo tema foi "Meio Ambiente e Paz", teve um propósito. “Devemos nos conscientizar quanto à preservação dos parques públicos e, ao mesmo tempo, clamar por paz”, enfatizou.
Para fazer parte do cast, os candidatos se inscrevem nos Centros Sociais Urbanos (CSUs) e passam por dois meses de curso gratuito. Esse processo engloba oficinas de passarela, fotogenia e maquiagem, além de formação em cidadania.
“Acima de tudo, eu aprendi a ter humildade”, relata a modelo Deiseane Alves (foto), 21 anos. Moradora do bairro de Castelo Branco, desde os 13, ela já sonhava com a profissão. Já Lucas Azevedo, 18 anos, e residente em Narandiba, nunca tinha imaginado desfilar até surgir a oportunidade. “Topei participar e venho me saindo bem. Isso pode ser o início para chegar a ser um modelo famoso”, planeja.
Para o estilista Neném Bettone, o grande mérito de um projeto dentro das comunidades mais humildes é a valorização dos indivíduos da região. “Temos que aquecer o sonho desse povo”, afirmou.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

dia da árvore em pituaçu

O Parque Metropolitano de Pituaçu agendou uma série de atividades educativas para comemorar o Dia da Árvore, no próximo domingo (21), a partir das 8 horas. Alunos de escolas públicas e moradores das comunidades do Alto do São João e Pituaçu vão participar da Caminhada da Paz e de um café da manhã, oferecido pela coordenação do parque.
Em seguida, vai haver o plantio de mudas de árvores nativas, como Pau- Brasil, Ipê e Jacarandá, pelos presentes. O objetivo maior da confraternização é a sensibilização ambiental, quanto à importância de se plantar e preservar árvores, a fim de combater os efeitos do aquecimento global.
O coordenador do parque, Alessandro Diamantino, considera o evento relevante no que diz respeito à consciência e preservação ambiental. “É mais uma ação da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) em benefício da conservação do recursos naturais e do envolvimento da comunidade na preservação dos parques metropolitanos”.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

zoológico começa série de reformas pelo felinário

“Ficar sem ver o leão e o tigre é um pouco sem graça”. A queixa do eletricista Jorge Almeida, 41, visitante do Zoológico de Salvador, tem prazo para acabar. No próximo 12 de outubro, Dia das Crianças, o público da capital baiana poderá apreciar o novo felinário, a casa dos grandes felinos no zoo. A obra começou em abril e visa, principalmente, ao bem estar dos bichos.
Os novos ambientes formarão quatro recintos, separando as espécies. No total são 12 animais, sendo um casal de leões e um de onças-pretas, quatro onças-pintadas, três suçuaranas e um tigre. As grades, que cercavam o local, serão substituídas por divisórias de vidros, de 30 milímetros de espessura, e preparadas para alto impacto. “É um material seguro, que garante conforto acústico e privacidade ao animal,” afirma o coordenador do zoo, Gerson Norberto. Ele destaca que a obra, no formato e na proporção, é inédita no Brasil.
Nas novas moradas, os felinos poderão circular em uma área maior e semelhante ao seu habitat natural. “Eles terão 50% a mais de espaço, além da estrutura de concreto revestida por um sistema de rocha artificial, que permite valorizar o recinto com cachoeiras, quedas d’água, grutas e plataformas” explica o veterinário.
O felinário é a primeira das seis grandes reformas, que vão acontecer no zoo. O objetivo é contemplar todos os 1.420 animais, compostos por 146 espécies. Os próximos projetos a entrar em execução são o das aves e dos primatas.
Em paralelo às reformas, o zoo desenvolve pesquisas internas e em colaboração com outros centros de estudos, extrapolando a visão de zoológico como um local restrito à apreciação de animais. “Os que ainda não absorveram o absorveram a idntam essa idma direta e indireta.46 espilizarem e interagirem"essa idéia de conservação estão fadados a sumir”, opina Norberto.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

artesanato

Até amanhã (28), a Assembléia Legislativa da Bahia recebe cerca de 50 expositores da Feira Reviva Parque, que acontece todos os domingos no Parque Metropolitano de Pituaçu. O evento, organizado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), já passou pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), e vai se instalar em outros pontos da cidade. O objetivo é tornar a Feira mais conhecida e divulgar o trabalho dos artesãos.
Na mostra, que está aberta das 8 às 17 horas, o público encontra produtos voltados para uma alimentação natural (sem agrotóxicos), além de materiais reciclados e artesanatos. “Há trabalhos que dão novos direcionamentos ao crochê, reaproveitamento de cocos, retalhos, e, principalmente, papel”, afirma a coordenadora da feira, Ana Javes. Ela acrescenta que exposições desse tipo são estimulantes para a sociedade perceber que o artesanato não está morto e que muitas famílias sobrevivem dessa arte.
Para o economista Otto Emanuel de Carvalho, 49, a ideia de levar demonstrações da Feira Reviva Parque para diversos locais de Salvador estreita a relação entre o público e os produtos. “É uma iniciativa muito boa, tanto para sabermos que existem artesanato e refeições alternativas, quanto para consumir”, disse.
Já Rosane Carvalho, 43, aproveitou o espaço para montar um stand só com culinária natural. Nele há uma variedade de iguarias que são feitas à base de vegetais, sem produtos derivados de animais. “Temos quibe de soja com legumes, pastel de berinjela com passas e azeitonas e o abaraite, um abará que não leva camarão”, descreveu a culinarista.
De acordo com Ana Javes, os diferentes locais por onde a feira tem passado, contribuem para o fortalecimento junto aos trabalhadores e ao público da ideia de responsabilidade ambiental. “Estamos recolhendo pilhas (baterias) e resíduos de óleo de cozinha, com o objetivo de dar o destino adequado a esses materiais”.

terça-feira, 27 de maio de 2008

jornalista da globo conversa com estudantes da fib

O apresentador do programa Linha Direta, Domingos Meirelles, veio a Salvador para discutir com alunos do Centro Universitário da Bahia (FIB), sobre o tema Mídia e Violência. O evento ocorreu hoje, às 19h, no Fiesta Convention Center. Aproximadamente 400 pessoas, entre estudantes, autoridades e profissionais de comunicação, assistiram à palestra.
Com 43 anos de carreira, Meirelles se ateve, principalmente, a relatar fatos e histórias de sua trajetória profissional. Em contrapartida, ele reservou um tempo para falar sobre o tema proposto e suas nuances. Ele acredita que a imprensa, em determinadas situações, pode potencializar o crescimento da violência. “A mídia pode aumentar a violência como multiplicadora de episódios, onde cada caso é um caso. Depende do repórter e de aspectos editoriais” diz. Para Meirelles, outro motivo que leva a mídia a contribuir com a violência, é o desespero da população por soluções para seus problemas. “A presença de uma câmera excita as pessoas. Elas queimam pneus, interditam ruas, fazem baderna”, conta.
O público que compareceu ao evento teve opiniões distintas sobre o conteúdo da palestra. A estudante de jornalismo, Luciana Cruz, achou que a presença de um profissional nacionalmente conhecido foi válida. “Gostei da palestra, o discurso dele foi muito bom, valeu a pena ver um jornalista da Globo falando”, comenta. Entretanto, outra aluna de jornalismo, Samira Silva, saiu insatisfeita e decepcionada. “Esperava mais. Ele apenas mencionou o assunto previsto. O que fez de verdade aqui foi o marketing pessoal dele”, afirma.
A gerente de Comunicação da FIB, Madalice Moura, viu com entusiasmo a repercussão do evento e prevê novas edições. “A intenção da FIB é continuar trazendo grandes personalidades para que os alunos possam aprender novos conteúdos com esses profissionais de renome”, revela.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

buda nagô

São suas as composições que melhor descrevem a Bahia (longínqua, diga-se de passagem), sua cultura, suas tradições, seu povo. Dorival Caymmi e sua “baianidade” excessiva – embebida em vida e música – sua adoração pela natureza, é um grande mestre do cancioneiro brasileiro.
Seu número de canções é considerado pequeno em comparação com a sua longevidade. Caymmi possui menos de 100 músicas. Porém, essa limitação quantitativa é facilmente superada pela imensurável qualidade da obra, pela forma singela e tocante de “contar histórias”. E sua trajetória teve início quando, ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1938, foi intimado pelo compositor Braguinha, a fazer uma canção sobre a Bahia para Carmen Miranda gravar. Ele fez O Que é Que a Baiana Tem?, canção simbólica para a carreira da cantora, vide seus trajes e vestimentas tão peculiares.
Sempre explorando temas ligados a sua terra natal, Caymmi (junto com Jorge Amado) foi o grande “publicitário” da cultura da Bahia, com todo respeito à profissão. As canções sobre o mar, pescadores, baianas, localidades, comidas típicas, costumes, crenças, ritmos e sobre mulheres, o tornou um ícone da representatividade baiana pelo Brasil e pelo mundo.
No final dos anos 50, com a eclosão da bossa-nova, Caymmi foi eleito predecessor do movimento pelos próprios protagonistas. De fato, composições suas – em parceria com Carlos Guinle – como Não Tem Solução e Sábado em Copacabana (tema da novela Paraíso Tropical, da Rede Globo, na voz de Maria Bethânia), se constituíram em pontos de partida para a invenção do estilo de cantar e tocar violão de João Gilberto, que revolucionou a música popular brasileira e mundial.
Recebeu inúmeras homenagens pelo Brasil e pelo mundo. Em Salvador, virou nome de uma avenida que liga o bairro de Itapuã à Paralela; em Paris, foi condecorado com a “Comenda das Artes e Letras da França”, atribuída a importantes personalidades culturais; ganhou discos inteiros dedicados a sua obra pelas cantoras baianas Gal Costa, Jussara Silveira e Rosa Passos; e já foi até enredo da Estação Primeira de Mangueira. Ufa! Salve, Caymmi, senhor!


P.S.: Ainda firme e resistente, Caymmi completa 94 anos de vida hoje. Graças a Deus!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

a magia do telejornalismo

É difícil um estudante de jornalismo chegar ao momento de enfrentar o curso de telejornalismo e não ter uma sensação especial. Aparecer no vídeo, entrar na casa das pessoas, e saber que está sendo visto e ouvido por inúmeros telespectadores, é algo contagiante. Guilherme Jorge de Rezende, em Telejornalismo no Brasil, diz: “A linguagem jornalística na televisão tem um traço específico que a distingue: a imagem. A força da mensagem icônica é tão grande que, para muitas pessoas, o que a tela mostra é a realidade. Por isso, a TV ocupa um status tão elevado, o que faz com que os telespectadores, especialmente os pouco dotados de senso crítico, lhe dêem crédito total, considerando-a incapaz de mentir para milhões de pessoas”. Isso sem esquecer o perigoso glamour (?!) proporcionado pela fama, e a patente confusão entre ser jornalista e ser artista. O incalculável alcance da televisão na sociedade brasileira e o fascínio do povo por este veículo (o que lhe confere alta carga de credibilidade e responsabilidade), são fatores relevantes para o encanto do repórter (ou, pelo menos, aspirante a tal) pelo estudo do jornalismo na TV.
O primeiro dia foi de muita expectativa e ansiedade: nervosismo presente, mas contido. Se as referências da professora eram as melhores possíveis, por que tanto temor? Passando nos corredores do Centro Universitário da Bahia (FIB), ainda procurando a sala, estiquei meu pescoço (amparado pela minha boa estatura) e vi uma frase escrita em uma lousa: “tudo é difícil até se tornar fácil”. Como diz o comentarista esportivo Rui Botelho: “caiu como uma luva”. Era o que eu precisava para iniciar o curso de cabeça em prumo. Até porque, sou um preguiçoso, porém não burro! E me baseei na minha facilidade de aprendizagem para dissolver essa pré-imaginação de dificuldade, em leveza e tranquilidade.
Começando do começo, vamos falar da pauta. Sinceramente, nunca gostei de elaborar pauta, apesar de considerá-la imprescindível para uma boa matéria. Ainda mais em telejornalismo, pois desde a pauta já se deve haver uma preocupação com as imagens. Segundo Olga Curado, em A Notícia na TV, as pautas podem ser factuais: “É a cobertura. A equipe de jornalismo acompanha e registra um fato que esteja transcorrendo... oferece em poucas palavras sugestões para enfoques de cobertura”; ou produzidas: “Não é o fato já escancarado. Pauta produzida é uma pauta de investigação... O essencial que não se pode perder de vista é que o ponto de partida de uma pauta será sempre a notícia”. No curso, não seria possível elaborarmos algo factual, então foram pautas produzidas, tanto para o telejornal piloto, quanto para o “valendo”. Apesar de ter a teoria à disposição, não tive muita facilidade em levantar as pautas, devido à falta de prazer nessa atividade mesmo. Porém, na reunião de pauta, realizada na sala, trouxe minhas sugestões e uma foi aprovada e executada.
Depois de ter a pauta pronta e aprovada, chegou a hora de ir a campo. Contatar as fontes, marcar o encontro, e concretizar a entrevista. Eis outro ponto muito interessante no telejornalismo, especificamente. Até então só tinha feito matérias para o formato de impresso. Para essas matérias, o momento da entrevista com a fonte nunca foi encarado como “entrevista” mesmo. A gente ia conversando, e no decorrer da conversa, eu chegava aos pontos que me levaram até aquela determinada pessoa. Mas no telejornalismo, a entrevista é um momento chave da matéria, principalmente na captação de uma sonora. Então, ela requer alguns cuidados com maior incidência do que em outros veículos. Um bom conhecimento sobre o assunto e sobre o entrevistado e atenção para informações complementares que só vão surgir no ato da entrevista. Como dizem Luciana Bistane e Luciane Bacellar no livro Jornalismo de TV: “... o ideal é estar preparado, o que não significa ler tudo a respeito do assunto, e elaborar uma lista de perguntas, como costumam fazer os repórteres em início de carreira – que decoram o que vão indagar. Por estarem presos ao que prepararam, muitos repórteres não escutam coisas mais importantes que o entrevistado pode falar”.
A ansiedade grande de colocar em prática (fazer a matéria) os ensinamentos aprendidos em sala de aula já dava os primeiros sinais, quando percebi, de fato, que o jornalismo em TV possui inúmeras peculiaridades. Mas a forma detalhada, e não menos objetiva (o que vem dando dinamismo ao curso), com que os termos foram apresentados em sala de aula, ajudaram bastante a superar mais essa possível barreira. São muitas etapas também para a conclusão da reportagem em TV. Depois que fizemos (eu e Kikito) a sonora com a fonte principal, não anotei a fita em que estava (por imaturidade), o que já gerou um trabalho a mais lá na frente. Em seguida, mais duas sonoras de personagens (aplicando bem a técnica: lado esquerdo do cinegrafista, registrando na fita o nome da fonte, e apoiando o braço com o outro) e o grande momento: minha passagem! O momento de olhar para a câmera, decorar o texto e gravar. Pela expectativa gerada, achei que seria bem pior, mas na segunda tomada, Kikito e eu achávamos que já estava bom. Fizemos mais uma por precaução e pronto. Já foi. Um alívio!
Pior que nem tanto alívio assim: ainda tinham a decupagem, gravação do texto em off, e a edição da matéria. O mais gostoso desse curso de telejornalismo, da forma como está sendo lecionado, é o seu direcionamento prático, sempre baseado em conhecimentos teóricos. Torna até os processos burocráticos, por assim dizer, prazerosos. Só que cometi um equívoco, por ansiedade e imaturidade também: gravei o off antes de decupar as imagens, baseando-me em minha memória. Probabilidade remota de uma atividade dessas obter sucesso. Quase dito e feito. Tenho boa memória e saiu quase tudo como imaginei. O grande problema foi a primária falta de estrutura do laboratório de Rádio, Televisão e Cinema (RTVC), da FIB, que não possui uma bateria para a iluminação do cinegrafista. Como diria Boris Casoy: “isso é uma vergonha!” O trabalho de decupagem das imagens, orientado por Selma Barbosa, fiz sozinho. Um porre! Mas a edição, fiz com Samuel Santos. Diversão!
Acho válida e frutífera a forma como vem sendo conduzido o curso até aqui: o casamento ideal e em medidas interessantes entre teoria e prática. E eu não poderia deixar de citar aqui nesse relatório o momento mais surpreendente e inusitado ocorrido comigo no proveitoso curso até agora (diga-se de passagem, até agora!): o exercício-teste para apresentador do telejornal. Não acho que tenho boa fotografia. Por isso, baseado no capítulo A Pronúncia, do livro Manual de Telejornalismo, de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, e nas aulas, e sempre atento para os momentos em que a própria professora Leila Nogueira lia algum texto feito por um colega (porque não sou bobo, nem nada!), busquei aprimorar a voz (pronúncia, dicção, entonação), já elogiada no curso de radiojornalismo. Barbeiro e Lima dizem: “A televisão é imagem, mas a fala também é essencial. Não se trata de exigir do jornalista um belo timbre de voz, mas clareza na pronúncia das palavras, respeito ao ritmo, velocidade e entonação. A leitura malfeita, com erro de pronúncia, e o vício de ‘comer letras’, principalmente o S final das palavras, podem fazer o telespectador perder o interesse pela notícia”. Os longos aplausos recebidos após a minha apresentação me deixaram lisonjeado e otimista para investir cada vez mais nesse campo que requer altas dosagens de humildade e maturidade de tão encantador: o telejornalismo.


P.S.: Esse texto foi um relatório entregue à professora Leila Nogueira, durante o curso de telejornalismo na FIB.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

universidades ajudam na reinserção social do idoso

Além das igrejas e das alternativas de bairro, instituições de nível superior, como a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e as Faculdades Integradas Olga Mettig ajudam a inserir o idoso na sociedade. As instituições oferecem cursos e oficinas, cujo desenvolvimento eleva a auto-estima e melhora as relações humanas dos mais velhos. Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que existem 25 mil pessoas com mais de 100 anos de idade no Brasil. Esses números apontam para a necessidade do surgimento de projetos voltados ao melhor convívio social do idoso.
A Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) é um programa ligado a Pró-Reitoria de Extensão da Uneb. Conforme a vice-coordenadora do programa, Sônia Bamberg, os resultados são positivos. “Aqui se encerraram inúmeros casos de inibição, depressão e falta de amizades e comunicação social”, diz. Os pré-requisitos são a idade mínima de 50 anos e uma contribuição mensal de R$10,00, mas existem casos especiais. A desempregada Maria Francisca dos Santos, 47 anos, há seis no curso, devido a sua baixa renda, ficou isenta da taxa. “Depois da UATI melhorei meus problemas de saúde, não passo fome e tenho muitos amigos”, afirma. O fato de dispensar a mídia para a divulgação do programa não compromete sua demanda. “Atualmente, temos 600 alunos e mais de 300 em espera”, entusiasma-se Bamberg. Para ela, os comentários boca-a-boca surtiram efeito além do esperado. “Somos obrigados a encaminhar alguns candidatos a grupos de convivência das comunidades locais”, revela. A preferência da UATI é atender a idosos de baixa renda, residentes na região do bairro do Cabula, como a aposentada Selma Barreto, 64 anos, moradora da Engomadeira. De acordo com sua filha, a universitária Andréa Barreto, 26 anos, a principal melhoria percebida na sua mãe, após o ingresso na UATI, no ano de 2000, foi a desinibição.
As atividades oferecidas pela Faculdade Livre da 3ª Idade (FLTI), um curso de extensão universitária das Faculdades Integradas Olga Mettig, têm o objetivo de atualizar o conhecimento. De acordo com a coordenadora do programa, Maria Lúcia, a FLTI não segue padrão ou currículo determinado. “Nosso intuito é fazer o idoso descobrir novas habilidades e desenvolvê-las”, diz. Para a pedagoga, o relacionamento com pessoas da mesma geração, torna o ancião mais dócil e sociável. Ela também aponta o vazio e a solidão como fatores relevantes para a busca do idoso por grupos de apoio. “Há depressão que causa isolamento, doenças e óbitos precipitados”, afirma. Na FLTI, em 13 anos de existência, o número de falecimentos não chega a 10 alunos, em turmas de 170, em média. Outro fato considerável nos programas para a terceira idade é a predominância do sexo feminino. “Apesar da menor aptidão à solidão, o homem é, naturalmente, mais refratário a certos movimentos”, define Maria Lúcia.

domingo, 17 de junho de 2007

comprando e transando: a tradução

Ao sair do teatro, após assistir à peça Shopping and Fucking, dirigida por Fernando Guerreiro, o espectador tem a sensação de despertar de um estado de transe. A sociedade hipócrita em que se está inserido o empurra para tal. Após uma análise mais fria e sensata, é que se chega ao verdadeiro teor da proposta apresentada na obra.
Shopping and Fucking é montada a partir de um texto duro e crítico de Mark Ravenhill. Um dos mais polêmicos escritos na década passada. Com objetividade e sem meias palavras, critica ferozmente essa conjuntura humana atual, sustentada apenas pelas relações de consumo exacerbado. É como se fosse um processo de “coisificação” do homem. Tudo é “comprável”: as emoções, os sentimentos, as necessidades, os desejos.
A direção precisa e incontestável de Guerreiro dá a medida exata do espetáculo. Ele usa e abusa do sexo, não para falar de sexo, mas de consumo e dependência, questões enraizadas e inerentes ao ser humano. Outro ponto relevante foi não ter aderido à “baianização” da situação e suas peculiaridades, fugindo do ridículo. Os atores estão na média. Boa média, por sinal. Jussilene Santana, segura e flutuante é o destaque, ao lado de Celso Jr., com suas aparições surpresa, e não menos pontuais e importantes. Apenas o mais jovem e promissor ator, Emiliano D’Ávila, ainda não alcançou a precisão e tom dos companheiros.
Um carro de modelo bem antiquado é o comandante do cenário. Aliás, nada melhor do que um automóvel (apesar de chutado e mal tratado!), o símbolo mor do “capitalismo selvagem”, parafraseando os Titãs. O âmago do espetáculo é detonar o comportamento das sociedades contemporâneas, que põem em pé de igualdade as dependências humanas: sejam elas físicas ou emocionais. E o interessante é a forma de abordagem do assunto. É preciso sensibilidade, percepção e preocupação com o que acontece ao redor, para compreender o cerne da questão. O que está explícito na encenação é um grupo de pessoas balbuciantes e meio sem norte. Ávidos por sexo e drogas, e fazendo disso a base de suas vidas, os personagens de Shopping and Fucking transam e transam muito. O que talvez incomode os mais conservadores e desavisados é a riqueza de detalhes sugerida em tais cenas. Por abordar temas comuns aos seres humanos em geral, pode-se definir a peça como algo existencialista e universal. A iminente discussão sobre a realidade que ela oferece deve ser avaliada com alto grau de rigor, visto que o panorama do vale-tudo presente no mundo moderno é algo angustiante e longe de agonizar.

terça-feira, 1 de maio de 2007

os irmãos

São quatro rapazes barbudos, trajados sempre de maneira simples e comum, os integrantes do grupo carioca Los Hermanos. A maioria das suas canções tem letras que falam de amor sob uma pegada hardcore. O sucesso estarrecedor da balada-rock, Anna Júlia (inclusive e, sobretudo, no carnaval de Salvador) colocou a banda no topo do cenário musical brasileiro. Porém, esse caminho de vendagem exacerbada de discos, sem definição de público, não era o que havia de mais fascinante e aprazível aos meninos do Rio.
Após uma mudança, quase radical, de sonoridade entre o primeiro disco (Los Hermanos) e o segundo (Bloco do Eu Sozinho), percebeu-se uma redução na quantidade de fãs, mas uma fidelidade muito maior dos remanescentes.
A formação conta com Bruno Medina (teclados), Rodrigo Barba (bateria), Rodrigo Amarante (guitarra e voz) e Marcelo Camelo (guitarra e voz). Os vocalistas são os compositores da banda, que já possui quatro cd’s lançados. Entretanto, o caminho até a gravação desses discos não foi nada fácil. Houve conflitos com gravadoras e até com a imprensa que os taxavam de “geniosos” e contra a música comercial. Aos poucos, após novas apresentações em casas menores e uma espécie de recomeço, a mídia especializada compreendeu a linha musical da banda.
Em nota no seu site oficial e divulgação para toda a imprensa nacional, o grupo anunciou que, a partir deste ano, fará uma pausa por tempo indeterminado. O principal motivo alegado pelos integrantes da banda foi a necessidade de descansar e atentar para aspectos relevantes da vida social e outros interesses profissionais, sempre preteridos em relação à agenda do Los Hermanos. Foram enfáticos em afirmar que não há quaisquer desentendimentos entre os componentes e quando foram questionados sobre o possível fim do conjunto, responderam que estão entrando apenas em um hiato.
Que essa interrupção suma logo.